Gestação tranquila, bebês saudáveis e papais felizes: Projeto Aconchego, com a psicóloga Maria Luíza Carvalho

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Quantas mudanças envolvem uma gestação. Literalmente, para alguns, a vida vira de cabeça para baixo, com tantas novidades. É preciso se preparar. O Aconchegar Núcleo Terapêutico acolhe lindamente o casal, em um projeto que faz refletir sobre esse momento especial e prepara a ambos, para as transformações físicas e emocionais dessa experiência única, que deve ser vivida em toda a sua plenitude. A entrevista que trago ao Boa Vida Online, é com a psicóloga Maria Luíza Carvalho, idealizadora do Projeto Aconchego: Gestação tranquila, bebês saudáveis e papais felizes:

Aurélia Guilherme – O tema gestação merece uma reflexão mais ampliada da realidade de muitos casais?

Bethânia Loureiro – Atualmente, é muito comum escutar a expressão “casal grávido”. Na verdade, em uma gravidez não ocorre somente à transformação física da mulher, lidamos com o imaginário, tanto da mulher, como do homem e, do próprio casal. Desta forma, ambos ficam grávidos. E, isso precisa ser trabalhado, além das consultas de rotina do pré-natal, com o obstetra. É necessário um tempo para essa escuta emocional. Precisamos antecipar futuros sentimentos, que acabam ocorrendo, como ciúmes da relação mãe\bebê, sentimentos de abandono que tantos pais sentem. Às vezes, esses sentimentos são ampliados com uma lente de aumento, embora sejam de fácil solução, porém, na gravidez tornam-se um problema que desestabiliza o casal.

Aurélia Guilherme – Quais são os conflitos mais comuns, vivenciados durante a gestação?

Maria Luíza Carvalho – Os conflitos começam com a mudança do corpo da mulher. A responsabilidade aumenta com a chegada de um novo membro, causando certa tensão. Em algumas situações a mulher sente que o bebê é um intruso, mesmo sentindo-se feliz. Têm mulheres que fogem da intimidade, como também alguns homens evitam a relação sexual, com medo de prejudicar o bebe.

Como disse anteriormente, é comum sentir ciúmes, o homem precisa estar consciente de todo o processo vivido pela mulher nessa fase e ser trabalhado. A ideia é sintonizar o casal, harmonizar a família. Assim, eles vão vivenciar algo mágico, profundo e único. O diálogo entre os parceiros precisa ser eficaz e haver uma abertura de conhecimento entre o mundo interno de cada um; medos, fantasias, angústias podem e devem ser externalizados. O trabalho em grupo proporciona isso.

Aurélia Guilherme – Faz tempo que a gravidez deixou de ser assunto exclusivo da mulher, não é?

Maria Luíza Carvalho –  Sim, alguns homens até apresentam os mesmo sintomas de gravidez da mulher, acredite. Chama-se a isso de Síndrome de COUVER, conhecida como a síndrome da simpatia. Existem homens que até ganham peso, apresentam enjoos e podem até sentir as dores do parto. O parceiro fica totalmente envolvido na gravidez. Pode parecer incrível, mas isso existe, sim, e não é nenhum problema sério de saúde.

Há muitos homens que também se sentem mais atraídos para o contato intimo, fato que ocorre, porque a mulher fica mais lubrificada, há um acúmulo da circulação sanguínea, além de algumas mulheres relaxarem com maior facilidade e se sentirem mais atraentes. Podemos notar que a gravidez é assunto para o casal.

Aurélia Guilherme – Como surgiu o Projeto Aconchego e qual o seu objetivo?

Maria Luíza Carvalho – Há 33 anos trabalho com gestantes. Foi minha primeira experiência de trabalho em São Paulo, quando quase não se ouvia falar de trabalho em equipe. Atualmente ainda encontramos a “EU QUIPE”. Ainda existe uma grande dificuldade de um trabalho de interdisciplinaridade. Já fiz acompanhamento de grávidas com pânico do parto, neste caso, entramos, até mesmo na sala de parto.

Aurélia Guilherme – A depressão pós-parto deflagra sentimentos de culpa terríveis e, muitas vezes, não há entendimento da situação como sendo patológica, porém, provisória. Como é a condução desse tipo de situação no Projeto Aconchego?

Maria Luíza Carvalho – É importante saber diferenciar a tristeza da depressão; 50% das mulheres depois do parto, apresentam tristeza. Geralmente, isso tem início no terceiro dia, com duração de 15 dias e, depois, esse sentimento desaparece.

Já a depressão pós-parto, se inicia algumas semanas depois do parto e deixa a mamãe sem condições emocionais de executar as tarefas do dia a dia. Depressão pós-parto ocorre por vários motivos, entre eles: alterações hormonais (estrógeno e progesterona ), com oscilações intensas de humor intensos; esta é uma fase de choro fácil e muita sensibilidade. Importante ter conhecimento dos sintomas, antes que eles manifestem.

Veja quantos fatores emocionais interferem no universo da grávida: sono, estresse, pressão psicológica para os cuidados com o bebê; o estilo de vida dela é alterado, muitas vezes, por um bebê exigente, uma amamentação difícil, possível ciúme de filhos mais velhos, falta de apoio do parceiro ou da família, questões financeiras etc. A depressão pode se instalar com toda essa reviravolta.

A dificuldade de diagnóstico, em muitos casos acontece, pois o foco é sempre a criança nas consultas pós-parto. É muito importante a auto aceitação do papel de mãe e a construção de uma relação autêntica e que auxilie no resgate da autoestima.

A grande diferenciação do Projeto Aconchego é antecipar os problemas que vão surgindo no decorrer da gestação. Através de ampla discussão, a conscientização ocorre, minimizando a interferência dos conflitos que surgem com boa parte dos casais. A mamãe vai aprender a dividir e organizar seu tempo para cuidar dela sem culpa, mesmo deixando um pouco o seu bebê e o seu parceiro de lado, para priorizar uma organização interna. No projeto, antecipamos possíveis situações, para que a família tenha suporte para lidar melhor com a mamãe.

Aurélia Guilherme – A chegada dos filhos provoca mesmo um impacto na vida da mulher. No corpo, nem se fala. Para muitas mulheres, voltar à boa forma pode ser um transtorno. Autoestima, zero! O Projeto Aconchego oferece que tipo de suporte para as alterações físicas que vão surgindo durante e pós-gestação?

Maria Luíza Carvalho – Sim, neste momento é fundamental a atividade física, encaminhamos as mulheres para atividades de resultado efetivo. Nosso projeto Aconchego oferece o Pilates para gestantes, excelente para aliviar a sobrecarga na coluna, fortalecendo todo o tronco vertebral e a musculatura pélvica, muito exigidos nesta etapa da vida da mulher. A prática do Método Pilates, além de ajudar a suportar melhor o peso da barriga, combate o inchaço, melhora a circulação sanguínea, a respiração e favorece a oxigenação para o bebê, facilitando o parto normal, além de diminuir o risco de incontinência urinária na gravidez e no pós-parto.

Sabe-se ainda que a prática regular da atividade promove a diminuição de cortisol (hormônio que tem sua produção aumentada diante de situações de estresse e cansaço), excelente para acalmar o bebê. Nossas gravidinhas mantêm o Pilates no pós-parto, em um trabalho contínuo de fortalecimento da musculatura abdominal e pélvica, alivio das dores causadas pelas alterações posturais e fraqueza da musculatura, aliviando o cansaço, reconstruindo a autoestima e trazendo de volta, o tônus muscular e toda a flexibilidade muscular. Quem pratica o Pilates adquire um corpo bonito e saudável.

Aurélia Guilherme – Algumas mulheres, com a chegada dos filhos, se esquecem de que são mulheres e passam a agir somente com a identidade materna. A libido some, não há desejo e, a crise matrimonial se instala. O Projeto Aconchego prevê esse tipo de situação?

Maria Luíza Carvalho –  Sim, isso é muito comum. O pior, é que acaba ocorrendo um sentimento de culpa, um conflito interno intenso; algumas mulheres agem, como se deixar o bebê apenas por pouco tempo, para se cuidar e se dedicar ao parceiro, fosse algo errado. O sentimento de culpa se manifesta em muitas delas e, quando aparece de forma acentuada, muitas querem provar que são capazes de suprir todas as necessidades em torno de si, como se fossem a mulher “maravilha” ou a “supermãe”. Ledo engano! Isso não é sinônimo de amor, pelo contrário, saiba que isso atrapalha, até mesmo, na educação da criança, além de afetar na relação do casal.

É necessário encontrar tempo para si mesma, para que o fato de ser mãe não interfira na própria erotização da relação com o parceiro. É preciso voltar ao namoro e encontrar outras formas de dar e receber prazer. Gestos de gentileza de um para com o outro vão abrindo o caminho para que ocorra o retorno da intimidade e aceitação de que isso leva um tempinho.

Aurélia Guilherme – Há algum treinamento prático para o casal, sobre cuidados com o recém-nascido?

Maria Luíza Carvalho – Sim, nossos encontros também abordam outras questões do cotidiano da relação mãe/pai/bebê: como banho, posicionamento adequado e local para a amamentação, toque afetivo, entre outras situações, como também, lidar de forma assertiva com as visitas.

Aurélia Guilherme – O Núcleo Aconchegar é também um centro de referência nas diversas terapias corporais. O Projeto Aconchego repassa, aos pais, as técnicas de Shantala, a massagem dos bebês?

Maria Luíza Carvalho –  A Shantala ajuda a criança a expressar melhor os seus sentimentos e trabalha o equilíbrio e a harmonia interior. O casal aprende e recebe toda a técnica, um curso completa para aplicar na sua criança, após um mês de idade. Esse momento é mágico e estreita os vínculos entre a mãe, o pai e a criança. Mais do que um ato carinhoso, o toque é uma troca gratificante de energia de um para o outro.

Como terapia, essa prática estimula os órgãos dos sentidos da criança, melhorando a sua sintonia com o mundo à sua volta. No Núcleo Aconchegar, ministramos o curso de Shantala, assim como o Reike, também para profissionais que recebem a certificação.

Aurélia Guilherme – Sim, você citou o Reike, no programa de atividades do grupo, há aplicação de Reiki nas grávidas?

Maria Luíza Carvalho – A maternidade é a realização do Sagrado feminino e a Terapia Reiki auxilia a gestação e o pós-parto! O Reiki auxilia a equilibrar as deficiências e os excessos de energia. No caso da gravidez, auxilia bastante a mãe durante os 9 meses, na gestão ou eliminação de sintomas, como enjoos, má disposição, sono, cansaço, mudanças de humor, infeções urinárias, dores de cabeça, prisão de ventre, cãibras. O Reiki pode também funcionar de forma profilática.

Essa é uma terapia integrativa, reconhecida pela OMS, e que se utiliza da Energia Universal que nos rodeia, através da imposição das mãos em alguns pontos fulcrais do nosso corpo, os nossos Chakras, nossos 7 pontos energéticos.

Aurélia Guilherme – Pelo o que vimos, o projeto Aconchego tem muita amplitude…

Maria Luíza Carvalho – Sim, nós sabemos que existem muitos grupos de orientação para gestantes. Porém, nossa proposta acrescenta um verdadeiro trabalho interdisciplinar, que enxerga a mãe, o pai os irmãos e os avós, absolutamente interligados. Trabalhamos o todo, com a previsibilidade dos problemas e conflitos, agregando a opinião e experiência de vários profissionais envolvidos no projeto. Em uma sequência de 12 encontros semanais, debatemos temáticas diferentes e as aplicamos de forma aprofundada, para que a passagem pelo Projeto Aconchego harmonize a fase mais importante na vida do ser humano, a chegada à esse planeta, perpetuando a nossa espécie.

Informações sobre o Projeto Aconchego para gestantes e “casais grávidos”: (62) 9 8117-8605 – (62) 9 9921-4579
Núcleo Aconchegar: Av. C-171 c/ Rua C-155 Qd.405, Lt 22, Jardim América – Goiânia – Go

A seguir, o casal Dalliane Louredo de Melo e Marcelo Moreira de Oliveira, junto aos pequenos Elisa e Gabriel e Laura, ainda na barriga da mamãe – O Projeto Aconchego foi fundamental na harmonização de toda a família. Conheça um pouquinho de sua história:

“Participei sim, do Projeto Aconchego” e foi muito valioso. A gravidez foi um período meu de muita fragilidade física e emocional. Eu, literalmente, fiquei enjoada os 9 meses em todas as minhas 3 gestações. Quando participava do projeto com a Maria Luiza e a Bethânia Loureiro, me sentia fortalecida, mais relaxada e calma. Na verdade, o acompanhamento sempre me beneficiou, inclusive, antes mesmo de eu engravidar, como preparação completa para chegada dos filhos lindos que tenho. Minhas 3 gestações foram realmente planejadas.
São tantas questões pessoais e conflituosas! Sou muito ansiosa; tentamos engravidar por mais de 3 anos, tive 2 abortos, enjoo em todas as gestações – MUITO enjoo; depois a dúvida, quanto ao terceiro filho e, depois, mais enjoo.
O trabalho desenvolvido pela Malu e Bethânia foi libertador na minha vida. Isso mesmo, libertador, e eu só tenho gratidão ao que elas me proporcionaram”.

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